Funworld: Passado um ano, que indicadores tem em conta para ajudar a determinar quando é altura de expandir um parque, como o Epic Universe?
Polk: Há vários fatores a ter em conta. Em primeiro lugar, temos de cumprir a promessa inicial do parque. O Epic Universe foi construído para elevar o prestígio do Universal Orlando Resort como um destino de férias completo, onde os visitantes podem passar vários dias a desfrutar de experiências diferentes.
O foco principal neste momento é garantir que o Epic cumpre essa promessa. A partir daí, respondemos à procura e às condições do mercado. Para continuarmos a ter sucesso, temos de manter as coisas sempre renovadas.
Isso começa com os nossos parques existentes. Essa é uma das razões pelas quais se vêem projetos como o «Fast & Furious: Hollywood Drift» [nova montanha-russa de lançamento da Intamin, prevista para 2027, no Universal Studios Florida] e outros investimentos em todo o Universal Orlando. O objetivo é garantir que todos os parques do resort continuem a parecer renovados e revitalizados, e que ofereçam algo de novo.
Conforme a procura ditar, iremos avaliar oportunidades de expansão. Ainda hoje, continuamos a adicionar novas experiências dentro do parque. Estamos a lançar o «Celestial Goodnight» [espetáculo de fogo de artifício noturno que estreou a 7 de julho] e introduzimos entretenimento atmosférico, como o «Captain Cacao», no Celestial Park. Estas novidades ajudam a ampliar a experiência global dos visitantes.
Funworld: Qual foi o maior sucesso inesperado no Epic Universe?
Polk: Os visitantes têm reagido de forma quase igual a todas as propriedades intelectuais representadas no parque.
Sabíamos que o The Wizarding World of Harry Potter seria popular. Sabíamos que o Super Nintendo World seria popular devido às nossas experiências em Hollywood e no Japão.
Mas o «How to Train Your Dragon» e o «Dark Universe» eram um pouco menos previsíveis. Fizemos uma pesquisa exaustiva antes de avançarmos com essas áreas, mas ambas superaram as expectativas. Os visitantes acolheram-nas de uma forma comparável à das nossas maiores franquias.
O «Dark Universe» tem sido especialmente gratificante porque os «Universal Monsters» fazem parte do ADN da nossa empresa. Tem sido emocionante ver os visitantes a reagirem com tanto entusiasmo a essa experiência.
Funworld: Quais são alguns dos desafios operacionais inesperados?
Polk: Não os chamaria necessariamente de «inesperados», porque já passei por isto algumas vezes. Sempre que se abre um novo parque temático, há sempre incógnitas.
Passamos oito anos a desenvolver algo, mas até os visitantes chegarem, não sabemos exatamente como vão utilizá-lo. Não sabemos como se vão deslocar pelo parque, o que vão priorizar, quando vão querer comer ou como vão passar de uma área para outra.
Esses são os desafios divertidos. É um quebra-cabeças.
Temos vindo a aperfeiçoar a sinalização, a ajustar a oferta gastronómica e a fazer ajustes operacionais com base no comportamento dos visitantes. Essas coisas levam tempo. Costumo dizer às pessoas que um parque demora cerca de 12 a 15 meses a estabilizar-se completamente. É nessa fase que nos encontramos agora. Estamos muito satisfeitos com o ano que passou e foi fantástico chegar ao primeiro aniversário.
Funworld: O que é que os visitantes vos dizem que querem mais?
Polk: Os visitantes dizem-nos constantemente que querem menos complicações.
Desde a pandemia, temos-nos concentrado fortemente em simplificar a experiência dos visitantes através de mudanças tanto tecnológicas como operacionais. A resposta tem sido muito positiva.
Um exemplo é a validação por fotografia [utilizada para a entrada no parque e para o acesso direto às filas do Universal Express], e outro é a nossa reformulação dos sistemas de cacifos.
Funworld: O que alteraram na experiência dos cacifos?
Polk: Tradicionalmente, os visitantes guardavam os seus pertences antes de entrarem na fila, esperavam na fila durante uma hora, andavam na atração e, depois, voltavam para recuperar os seus objetos.
Os visitantes diziam-nos repetidamente que queriam manter os telemóveis consigo. Querem tirar fotografias, comunicar com os amigos e manter-se ligados enquanto esperam.
Primeiro, testámos um novo conceito de cacifos na VelociCoaster [uma montanha-russa de lançamento que se encontra no parque temático Universal’s Islands of Adventure] e, depois, expandimo-lo no Epic Universe. Os visitantes mantêm agora os seus pertences consigo durante a maior parte da fila e utilizam os cacifos apenas imediatamente antes de embarcarem. Os cacifos estão ligados através de tecnologia de reconhecimento facial, e os visitantes recuperam os seus pertences imediatamente após saírem da atração.
É um processo muito mais eficiente e reduz significativamente os atritos.
Funworld: O vosso novo espetáculo noturno, «Celestial Goodnight», estreou-se a 7 de julho de 2026. Quão importante é para a experiência no parque?
Polk: É muito importante.
Sempre imaginámos que o Epic Universe teria um grande espetáculo noturno. Essa intenção refletiu-se na nossa arte conceptual desde o início. Grande parte da infraestrutura que suporta o espetáculo foi construída no parque há anos.
Queríamos que o parque estivesse bem estabelecido antes de introduzirmos algo desta dimensão. Passámos cerca de um ano a trabalhar a sério neste espetáculo.
Uma coisa que nos surpreendeu foi o quanto os visitantes já adoram o Epic Universe à noite. O parque fica deslumbrante depois de escurecer. Os visitantes gostam de passar tempo em todos os mundos e de se reunir em torno do espetáculo da fonte já existente.
O «Celestial Goodnight» foi concebido para proporcionar um excelente final de noite, e estou ansioso por ver as reações dos visitantes quando estrear.
Funworld: A Universal tem vindo a experimentar permitir o acesso ao Celestial Park separadamente do resto do parque. Existe potencial para expandir esse conceito?
Polk: Estamos a testar várias ideias, mas, neste momento, não temos um plano específico a longo prazo definido. Queremos perceber como estes conceitos funcionam na prática e se os visitantes realmente os querem.
O parque continua a ter de funcionar como uma experiência completa, que ocupe o dia inteiro, para os visitantes que compram o bilhete de entrada. Ao mesmo tempo, o Celestial Park é um ambiente maravilhoso com uma capacidade substancial, excelentes restaurantes e, agora, uma importante experiência noturna.
Queremos descobrir a melhor forma de tirar partido do Celestial Park, mas ainda não temos um plano completo.
Funworld: Para além do Epic Universe, qual considera ser a próxima grande oportunidade de crescimento para a indústria dos parques temáticos?
Polk: As pessoas diziam que o mercado de Orlando estava saturado em meados dos anos 2000, e isso, obviamente, não era verdade.
A questão é: como continuamos a encontrar e a criar experiências que correspondam às expectativas em constante evolução dos visitantes? Para nós, trata-se de explorar ligações emocionais e um apego geracional que não tínhamos anteriormente.
Estamos a criar visitas intergeracionais. Queremos introduzir novidades, mas também explorar as coisas que fazemos há muitos anos. As pessoas dizem agora: «Lembro-me disso de quando era jovem, queria reviver essa experiência.»
Estamos a assistir a uma resposta extraordinária dos visitantes a atrações como «Jaws» e «Back to the Future».
Funworld: De que forma é que essa estratégia se alinha com o recém-inaugurado Universal Kids Resort, perto de Dallas?
Polk: O nosso público-alvo começa por volta dos sete anos de idade para os resorts de destino em Orlando e Hollywood. Oferecemos experiências para toda a família, mas muitas das nossas atrações são concebidas em torno de experiências de maior adrenalina.
O novo parque no Texas dá às crianças mais novas a oportunidade de conhecer as marcas da Universal e as suas histórias numa idade mais precoce. Apresenta-lhes os nossos produtos num ambiente mais adequado à sua idade.
À medida que esses visitantes crescem, podem optar por visitar os nossos resorts de destino de maior dimensão na Flórida ou na Califórnia.
Funworld: Um ano após a inauguração do Epic Universe, como se sente?
Polk: Estou na empresa há 37 anos.
Já em 1990, quando estávamos a construir o Universal Studios Florida original, a visão sempre foi criar um verdadeiro destino de férias com duração de uma semana. Com o Epic Universe e o nosso portfólio alargado de hotéis com 11 000 quartos, finalmente alcançámos esse objetivo.
Mas isto não é um fim, é um novo ponto de partida para nós. Muitas vezes, ficamos meio que estagnados, mas não sinto que seja o nosso caso. Temos o mundo à nossa frente, e um excelente conjunto de produtos e locais, e estou realmente entusiasmado por fazer parte disto.
Todas as manhãs, passo cerca de uma hora a passear pelo parque antes de o dia começar. É uma excelente forma de começar o dia, e é gratificante ver os hóspedes a desfrutar de algo que demorou tantos anos a concretizar.


